Acolhimento do servidor migrante - Servidor - Poder Judiciário de Santa Catarina

Dicas de gestão

Acolhimento do servidor migrante

Santa Catarina tornou-se o principal destino da migração interna no Brasil, segundo o Censo Demográfico de 2022, divulgado pelo IBGE. Entre 2017 e 2022, mais de 503 mil pessoas de outros estados passaram a residir no território catarinense. Com um saldo migratório positivo de 4,66% - o maior do país -, o estado se destaca como um lugar promissor para quem busca novas oportunidades.

Nesse cenário, o Poder Judiciário de Santa Catarina tem recebido um número expressivo de novos servidores migrantes. Essa condição traz desafios significativos, vivenciados principalmente por quem migra, mas também pela sociedade e pelas instituições que os acolhem.

A mudança de cidade ou estado envolve muito mais do que uma nova função. Os desafios incluem:

  • Dificuldade para encontrar moradia;
  • Diferenças culturais;
  • Ausência de vínculos sociais;
  • Saudade da família;
  • Adaptação à nova rotina de trabalho e à cultura organizacional.

Mesmo quando motivada por uma conquista - como assumir um cargo público -, a migração pode gerar sentimento de perda e desorientação, que muitas vezes surgem com o tempo.

Os chefes de secretaria exercem papel fundamental no primeiro contato com o servidor nomeado. Após a posse, o Programa Novos Laços, promovido pela Diretoria de Gestão de Pessoas (DGP), oferece informações essenciais sobre direitos, deveres e funcionamento da instituição, ajudando a reduzir a ansiedade inicial.

Contudo, é no início das atividades laborais que o acolhimento se torna crucial. A atuação do gestor, com atitudes que favoreçam a adaptação à equipe, à instituição e à nova realidade social, é determinante para o sucesso dessa integração.

Algumas ações práticas podem fazer toda a diferença:

  • Escuta ativa e empática: estar aberto a conhecer a história do novo servidor, respeitando seu tempo e espaço para compartilhar sua trajetória;
  • Apresentação da cultura organizacional: explicar normas de conduta, formas de tratamento, atendimento ao público, vestimenta e demais aspectos do cotidiano institucional;
  • Integração gradual: nos primeiros dias, evitar incluir o novo servidor na rotina de atendimento ao público ou na distribuição de tarefas. Reservar de uma a duas semanas para que ele possa realizar cursos, ler manuais e se familiarizar com o ambiente;
  • Designação de um mentor: indicar um servidor experiente para acompanhar o novo colega, orientando-o nas atividades e facilitando sua adaptação;
  • Atenção a possíveis dificuldades: observar sinais de conflitos, discriminações ou tratamento desigual, e agir para garantir um ambiente justo e acolhedor;
  • Criação de rede de apoio: estimular a integração interpessoal e facilitar conexões dentro da equipe;
  • Integração social: promover momentos de convivência, como um lanche coletivo ou um happy hour, para fortalecer os laços com a equipe;
  • Feedback contínuo: oferecer retornos frequentes, especialmente no início, para orientar, ajustar rotas e valorizar os avanços.

O Brasil, assim como o estado de Santa Catarina, é conhecido por sua rica diversidade cultural. No início da convivência, algumas diferenças culturais podem se tornar mais evidentes, o que pode gerar desconforto ou estranhamento. Isso pode ocorrer, por exemplo, no uso de expressões regionais ou na prática de hábitos que ainda não são familiares a todos. Nesse contexto, é fundamental evitar comparações ou estereótipos, respeitando a cultura e a história de cada pessoa.

Para auxiliar neste processo, o Programa Nossos Ciclos, realizado pela Diretoria de Gestão de Pessoas, oferece a ação Travessia, voltada ao acolhimento e à integração de servidores que mudaram de cidade ou estado. Incentive a participação dos novos colegas nesse espaço de escuta e apoio.

O entusiasmo inicial do novo servidor é uma oportunidade valiosa. Com um acolhimento cuidadoso, ele pode se transformar no reforço tão esperado pela equipe. A contribuição de gestores e equipes é fundamental, pois a forma como esse servidor é recebido impacta diretamente em seu bem-estar, engajamento e desempenho.

Acolher bem é investir em pessoas. E investir em pessoas é fortalecer a instituição!

Elaboração:
Alma Serena Barbosa Satto 
Bruna Fernandes Alves Cascais 
Ingrid Audrey Schauffert 
Marcelo Dias e Silva 

Referências: 

Delvas, Rodrigo Leandro. A importância do acolhimento e da integração na cultura organizacional. 2017.

Jornal Gazeta do Povo. “Santa Catarina desponta como principal destino de brasileiros que resolvem trocar de endereço”. Disponível em <https://www.gazetadopovo.com.br/brasil/santa-catarina-principal-destino-brasileiros-que-resolvem-trocar-de-endereco/> Acesso em 26 jun 2025.

Simas, Karla da Rocha Rodrigues; Bettencourt, Maria Beatriz Gomes. "O acolhimento de novos servidores na Universidade Federal do Rio de Janeiro: um estudo avaliativo." Revista Meta: Avaliação, 2023.

Tribunal de Justiça de Santa Catarina. "Programa Nossos Ciclos." Disponível em: <https://www.tjsc.jus.br/web/servidor/nossos-ciclos> Acesso em 25 jun 2025.

Tribunal de Justiça de Santa Catarina. "Programa Novos Laços." Disponível em: <https://www.tjsc.jus.br/web/servidor/programa-novos-lacos> Acesso em 11 jul 2025.