Saúde integral na perspectiva do gestor - Servidor - Poder Judiciário de Santa Catarina

Dicas de gestão

Saúde integral na perspectiva do gestor

A ideia de saúde integral no ambiente de trabalho vai além da ausência de doenças. Envolve a promoção simultânea do bem-estar físico, mental, emocional, social e organizacional. Para o gestor, essa visão é estratégica, pois impacta diretamente nas relações de trabalho e na produtividade da equipe.

A saúde integral no serviço público — e particularmente no Judiciário — é marcada por desafios específicos: alta demanda social, forte normatização, rigidez procedimental e rigor técnico, com frequente pressão por metas e qualidade. 

Neste contexto, equilibrar a saúde das pessoas com o atendimento das demandas é um grande desafio. Assim, o gestor se torna peça central na promoção de um ambiente de trabalho saudável, psicologicamente seguro e eficiente.  

Embora não seja um profissional de saúde, o gestor exerce influência direta sobre como a equipe vivencia o trabalho. Além de coordenar tarefas, atua como promotor de relações de trabalho, mediador de conflitos e facilitador do cotidiano, responsabilidades que interferem diretamente na saúde integral da equipe.

A seguir, destacamos o papel do gestor e da instituição em cada dimensão da saúde integral.

Saúde Física 

Nessa dimensão, os desafios comuns no nosso judiciário são longas horas em atividades sedentárias; sobrecarga visual por uso contínuo de sistemas eletrônicos; posturas inadequadas em estações de trabalho e acúmulo de processos e atividades repetitivas.

A atuação institucional busca garantir recursos e condições básicas, como ergonomia adequada; prevenção de riscos; incentivo a pausas, alongamentos e atividades físicas; e ações de saúde ocupacional como vacinação e exames periódicos. Nesta perspectiva, temos diversos programas oferecidos pela Diretoria de Saúde e Qualidade de Vida (DSQV), como o programa Ergonomize-se e a campanha de Vacinação

Na perspectiva do gestor, cabe a este garantir que a carga de trabalho não gere adoecimento físico e incentivar as pessoas da equipe a participarem dos programas oferecidos. Além disso, promover pausas regulares e microatividades físicas, além de solicitar, quando necessário, equipamentos e mobiliário ergonômico.

Saúde Mental e Emocional

O Poder Judiciário carrega características que ampliam o risco psicossocial: pressão por prazos legais e produtividade; expectativa social de excelência e imparcialidade; formalidades e hierarquias rígidas; trâmites complexos e, muitas vezes, lentos; baixa autonomia; e conflitos interpessoais ou assédio.

Na perspectiva institucional, temos diversos programas desenvolvidos pela Diretoria de Gestão de Pessoas (DGP), disponíveis na página do Programa Você em Foco, como o Programa de Bem-estar no Trabalho e o Programa de Desenvolvimento de Relações Interpessoais, entre outros. Visite nosso portal para saber mais.

Ao gestor, cabe distribuir demandas de forma justa; evitar a cultura de urgência constante; estimular relações respeitosas e acolhedoras; evitar cobranças desproporcionais; estimular a autonomia responsável; praticar comunicação empática e respeitosa; reconhecer e intervir diante de sinais de estresse, exaustão ou sofrimento e incentivar o uso de apoio psicológico institucional da DSQV, além de incentivar a participação nos programas oferecidos pela instituição. 

Saúde Social (relacionamentos e pertencimento)

O Judiciário é um ambiente de convivência intensa e, por vezes, tensa. Relações adoecidas prejudicam não só a equipe, mas também a qualidade da prestação jurisdicional. Ambientes tóxicos geram afastamento, rotatividade e improdutividade.

Na esfera de atuação do gestor, é importante criar espaços seguros para diálogo; valorizar a diversidade de perfis profissionais; resolver conflitos de forma justa e ágil; promover colaboração e respeito entre colegas; construir relações colaborativas e não competitivas; prevenir assédio moral e institucional; e fomentar o respeito em relação a outras unidades, sejam elas administrativas ou judiciais.

Saúde Organizacional

A saúde integral depende também da estrutura e da cultura organizacional. O gestor tem papel estratégico em moderar eventual rigidez ou hierarquia que reduza a autonomia ou prejudique o desenvolvimento da segurança psicológica. 

Além disso, o Poder Judiciário tem algumas características às quais o gestor deve estar atento: sistemas complexos e frequentemente atualizados; muitas normas internas, demandas sazonais intensas (mutirões, encerramento de metas, períodos eleitorais, entre outras); e pressão por indicadores.

Neste contexto, cabe ao gestor reduzir burocracias desnecessárias; estabelecer metas realistas; evitar retrabalhos por meio de boas instruções; ser transparente em suas decisões; escutar a equipe antes de implementar novas rotinas; garantir clareza de funções e fluxos; compartilhar informações de forma clara; preparar a equipe para mudanças (tecnológicas e normativas) com diálogo e capacitação; e atuar como “tradução humana” das demandas institucionais. 

A Saúde Integral na prática

O cuidado com a saúde integral pode trazer ganhos imensuráveis para as equipes, pois favorece a redução do absenteísmo, de conflitos, além de favorecer a melhoria no clima organizacional e da produtividade. Além disso, ajuda a reter talentos e criar ambientes inovadores e colaborativos. 

Isso porque pessoas com boa saúde em sua integralidade tendem a ser mais engajadas e intrinsecamente motivadas, contribuindo efetivamente na construção de uma reputação institucional mais positiva. 

Listamos abaixo algumas práticas concretas que o gestor pode adotar para cuidar da saúde integral de sua equipe:

  • Realizar reuniões curtas de alinhamento e acolhimento;
  • Criar espaços seguros para escuta da equipe;
  • Reconhecer publicamente contribuições e esforços;
  • Promover reuniões regulares de acompanhamento humano (não só metas);
  • Dar feedbacks construtivos e contínuos;
  • Estabelecer canais abertos de comunicação e sem retaliações;
  • Explicar o porquê das decisões;
  • Distribuir tarefas de forma equilibrada;
  • Garantir pausas e evitar jornadas excessivas;
  • Priorizar demandas de forma clara;
  • Respeitar limites pessoais;
  • Não promover cultura de urgência constante;
  • Incentivar momentos de integração saudável;
  • Identificar sobrecargas silenciosas;
  • Incentivar capacitações que reduzam insegurança técnica;
  • Promover flexibilidade quando permitido (teletrabalho, horários adaptados);
  • Alinhar expectativas com magistrados e diretores;
  • Priorizar demandas com critérios claros;
  • Evitar cobranças contraditórias ou excessivas;
  • Intermediar conflitos entre equipes e superiores;
  • Estimular pausas, descanso e desconexão responsável;
  • Reconhecer vulnerabilidades humanas sem estigma;
  • Utilizar serviços institucionais de saúde física e mental;
  • Liderar pelo exemplo: equilíbrio, comunicação e respeito.

Quando o gestor compreende saúde integral como um sistema interligado, ele busca conduzir a equipe priorizando as pessoas e liderando com mais humanidade, sustentabilidade e eficiência.

Além disso, também é fundamental que você, gestor ou gestora, cuide de sua própria saúde integral, respeitando seus limites, buscando ajuda de outras pessoas ou da instituição quando necessário e praticando tudo o que recomendamos para a equipe. Somente estando bem é possível contribuir para que outras pessoas também estejam.

Gestores que cuidam da saúde integral própria e das pessoas de suas equipes contribuem para um judiciário mais humano, eficiente e comprometido com sua função social.

Reflita!

  • Minhas metas estão claras e manejáveis? 
  • Há negociação de prazos quando o contexto muda? 
  • A equipe tem autonomia real sobre como executar o trabalho?
  • Estou reconhecendo contribuições e dando feedback frequente?
  • Há espaço seguro para dar ideias, expor dúvidas e erros?

Vamos colocar em prática ações a partir destas reflexões? 

Se você, gestor, conduzir sua equipe a partir destas diretrizes, estará no caminho certo para a construção de uma liderança equilibrada, que promove a saúde integral.

Até a próxima dica!

Elaboração:
Alma Serena Barbosa Satto 
Bruna Fernandes Alves Cascais 
Ingrid Audrey Schauffert
Marcelo Dias e Silva 
(Dica estruturada com o apoio do M365 Copilot)

Referências
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VAN VEGCHEL, Natasja; DE JONGE, Jan; BOSMA, Hans; SCHAUFELI, Wilmar. Reviewing the Effort–Reward Imbalance model: drawing up the balance of 45 empirical studies. Social Science & Medicine, v. 60, p. 1117–1131, 2005. 

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