O Tesouro Reserva e a reserva de emergência - Servidor - Poder Judiciário de Santa Catarina

Dicas financeiras

O Tesouro Reserva e a reserva de emergência

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O Programa de Educação Financeira do Poder Judiciário de Santa Catarina, instituído no mês de agosto de 2020, foi criado com a missão de auxiliar as colaboradoras e os colaboradores a trilharem o caminho do equilíbrio de suas finanças pessoais, fornecendo conteúdo informativo sobre economia, investimentos e saúde financeira.

Passados mais de cinco anos, e depois de publicadas mais de sessenta dicas financeiras, o enfoque segue no primeiro passo do cidadão-investidor: a criação da sua reserva de emergência e as melhores opções de alocação.

O motivo do retorno a esta temática se justifica porque o Governo Federal, por meio do Tesouro Nacional, noticiou que no mês de março de 2026 estará disponível um novo título público: o Tesouro Reserva.

1 Por que o Tesouro Reserva é tão revolucionário? Quais são as suas principais vantagens?

Dentre várias novidades, uma das principais inovações diz com a possibilidade de o novo papel estar disponível 24 horas por dia, durante os sete dias da semana. Ou seja, um resgate em dia não útil terá a disponibilização da quantia ao investidor no mesmo instante, via Pix, diversamente do que ocorre com os demais títulos do Tesouro Direto, cujo horário de negociação inicia às 9h30m e se encerra às 18h, apenas em dias úteis.

Outra característica marcante é a aplicação mínima de R$ 1,00, facilitando o acesso à população de baixa renda que não raras vezes pretende guardar R$ 10,00, R$ 20,00 ou R$ 50,00.

A terceira novidade reside na simplificação da sua rentabilidade: o Tesouro Reserva não sofrerá os efeitos da marcação a mercado, ou seja, não haverá risco de flutuação no preço. A sua rentabilidade acompanhará 100% da Taxa Selic, taxa básica de juros da economia, lembrando que a poupança, modalidade de investimento mais tradicional no país, rendeu aproximadamente 8% contra 15% da Taxa Selic, no período de janeiro de 2025 a janeiro de 2026.

O diretor da Bossa Invest, Antonio Patrus, em entrevista concedida ao repórter de finanças da InfoMoney, Angelo Pavini (2026), bem elucida a questão:

O Tesouro Reserva surge como uma resposta direta a um problema estrutural do investidor de baixa renda e do iniciante, que não é buscar alta rentabilidade, mas conseguir guardar dinheiro com previsibilidade e sem fricção. 
A lógica do produto parte de um ponto simples: a maioria das pessoas desiste de investir não por falta de retorno, mas por insegurança.
Ver o saldo oscilar para baixo, mesmo que temporariamente, gera desconfiança e rompe o hábito antes que ele se forme. Ao eliminar a marcação a mercado e oferecer uma experiência de saldo estável, o Tesouro Reserva tenta resolver essa barreira psicológica que sempre afastou o pequeno investidor dos títulos públicos tradicionais.

E não é só isso. Ao disponibilizar este título com tais peculiaridades, constata-se que o Governo Federal entra na concorrência direta com as grandes instituições privadas na disputa pela opção mais vantajosa para compor a reserva de emergência dos brasileiros.

Na temática da concorrência, interessantes as observações de Edgar Araújo (2026), CEO da Azumi Investimentos:

Ao ser acessível, simples e competitivo, ele também pressiona o sistema financeiro a rever produtos de baixa eficiência, como caixinhas e fundos excessivamente conservadores. No contexto atual, o Tesouro Direto reforça seu papel não apenas como financiador do Estado, mas como uma ferramenta concreta de inclusão financeira, oferecendo ao investidor de menor renda mais retorno, mais clareza e mais controle sobre o próprio dinheiro.

 Sobre as comparações com o Tesouro Selic, com a poupança e com as caixinhas digitais de alguns bancos, segue tabela reproduzida por Isabel Gonçalves (2026):





 Vale registrar, ainda, que os títulos públicos federais, aí incluído o Tesouro Reserva, possuem menor risco de crédito em comparação com os títulos emitidos pelas instituições privadas. O risco dos títulos públicos é chamado de risco soberano, o menor do mercado, por conta do poder de emissão da moeda detido pela União.

2 Quais são as desvantagens do Tesouro Reserva? Incidirão tributos sobre os resgates do Tesouro Reserva?

A principal desvantagem do Tesouro Reserva, na visão de alguns especialistas no assunto, tal como a analista Marília Fontes, reside no fato de que o título terá duração máxima de 3 anos. Ou seja, não será possível carregá-lo por período maior, dada a chegada do seu vencimento.

Na prática, significa que, para o investidor que desejaria ficar por 6 anos com o papel, ele terá de realizar uma compra, carregar até o máximo 3 anos, e realizar nova compra. Este processo todo gerará o pagamento, por duas vezes, do imposto de renda sobre o lucro, na alíquota de 15%, em cada vencimento.

Tal circunstância não ocorre em títulos públicos federais mais longos, o que gera redução de pagamento de IR por parte do investidor.

Quanto à incidência tributária, a resposta é positiva. Tal como a maioria dos instrumentos de renda fixa (a exceção fica para os títulos isentos, como LCIs e LCAs, que, contudo, não possuem disponibilidade diária, mas sim de, no mínimo, seis meses, conforme Resolução CMN n. 5.215, de 22 de maio de 2025), incidem o imposto de renda (IR) sobre o lucro auferido no período de aplicação e o imposto sobre operações financeiras (IOF), em caso de resgate nos primeiros trinta dias, a contar da aplicação.

A tabela de incidência do IR é a regressiva, de modo que, até 180 dias, a alíquota é de 22,5%; de 181 a 360 dias, 20%; de 361 a 720 dias, 17,5% e, por fim, acima de 720 dias, 15%.

3 E a taxa de custódia da B3?

O Tesouro Nacional não especificou se haverá incidência da taxa de custódia de 0,2% da B3. Contudo, a maioria dos analistas acredita que sim, seguindo o exemplo de todos os demais títulos do Tesouro Direto.

A taxa de custódia da B3 é uma taxa de 0,20% ao ano sobre o valor investido, cobrada pela bolsa brasileira (B3) para guardar e gerenciar os títulos. Ela é debitada semestralmente (janeiro/julho) ou no resgate, sendo isenta para estoques de até R$ 10 mil no Tesouro Selic por CPF.

4 Considerações finais

Não restam dúvidas de que a possibilidade de negociação no sistema 24x7 é o maior destaque deste novo título do Governo Federal, sobretudo porque nenhum outro título do Tesouro Direto possui tal característica.

Outra constatação importante: os valores aplicados no Tesouro Reserva são aqueles nos quais o poupador tende a usar dentro dos próximos três anos. Dito de outro modo, para períodos maiores, os títulos mais longos ou até mesmo outras opções de investimentos, como os fundos de investimento previdenciários, podem ser mais vantajosos, tudo, evidentemente, a depender da estratégia do investidor.

O Tesouro Reserva aparece como uma evolução natural da estratégia de democratização do investimento no Brasil ao atacar três fragilidades históricas enfrentadas pelo investidor de menor renda: baixa rentabilidade, falta de transparência e dependência excessiva de produtos bancários automáticos.
Em resumo: trata-se de um título público federal, com risco soberano e com regras claras de liquidez, além da formação de preço diária, o que reduz significativamente as incertezas que existem em opções como poupança, fundos de investimentos conservadores (nos quais há, inclusive, a incidência de come-cotas) e caixinhas digitais.

E aí? Você comprará títulos do Tesouro Reserva para compor a sua reserva de emergência? Quer saber mais sobre este ou outro assunto? Não se esqueça: converse com um profissional credenciado para tratar de produtos financeiros, e, se preferir, agende conosco um encontro sobre qualquer tema relacionado à educação financeira!

Para agendar atendimento exclusivo e reservado com a equipe do Programa de Educação Financeira ou sugerir conteúdos para nossas ações, mande o seu e-mail para educacaofinanceira@tjsc.jus.br.

Elaboração:
Leandro Ambros Gallon
Equipe do Programa de Educação Financeira 
E-mail: educacaofinanceira@tjsc.jus.br

Referências:

CRUZ, Elaine Patrícia. Tesouro Nacional lança novo título público em março. Agência Brasil. Governo Federal. 30 jan. 2026. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-01/tesouro-nacional-lanca-novo-titulo-publico-em-marco. Acesso em: 25 fev. 2026.

FONTES, Marília. Tesouro Reserva 24h pode substituir CDBs de liquidez diária? Nord Investimentos. São Paulo. 9 fev. 2026. Disponível em: https://www.nordinvestimentos.com.br/blog/tesouro-reserva-24h-vs-cdb/ Acesso em: 3 mar. 2026.

GONÇALVES, Isabel. Tesouro Reserva vai substituir a poupança? Entenda o novo título. Estado de Minas. 23 fev. 2026. Disponível em: https://www.em.com.br/colunistas/educando-seu-bolso/2026/02/7361069-tesouro-reserva-o-que-e-como-funciona-e-vantagens.html#google_vignette 
Acesso em: 24 fev. 2026.

PAVINI, Angelo. Novo título Tesouro Reserva vai concorrer com aplicações de curto prazo. InfoMoney. XP Inc. 14 fev. 2026. Disponível em: https://www.infomoney.com.br/onde-investir/novo-titulo-tesouro-reserva-vai-concorrer-com-aplicacoes-de-curto-prazo/#:~:text=O%20Tesouro%20Reserva%20ser%C3%A1%20como,fins%20de%20semana%20e%20feriados. Acesso em: 25 fev. 2026.