Renda e felicidade: uma equação possível? - Servidor - Poder Judiciário de Santa Catarina
Dicas financeiras
Muitas pessoas já ouviram o ditado que “dinheiro não traz felicidade”. Outras já debateram sobre se pessoas ricas são felizes ou se é possível ser feliz com uma vida mais simples. O fato é que a relação entre dinheiro e felicidade é bastante complexa, pois, além de dinheiro, envolve questões sociais, culturais e econômicas, dentre outras que marcam o tema.
Uma pesquisa, realizada nos Estados Unidos, indicou que os níveis de felicidade acompanham o aumento da renda até certo ponto, que naquele caso era em torno de 75.000 dólares por ano, o que representa US$ 6.250,00 por mês5 (valores não atualizados desde a enquete). No Brasil, convertendo-se diretamente pela cotação do dólar (R$ 5,40 em 12/8/251), esta renda representa aproximadamente 405.000 reais por ano, ou R$ 33.750 por mês.
Também podemos estabelecer uma relação deste valor com o salário-mínimo, que naquele país é de aproximadamente US$ 1.257 mensais (federal)3,4, representando, segundo a pesquisa, incremento na felicidade com renda crescente até cerca de cinco salários-mínimos. Considerado que no Brasil o salário-mínimo é de R$ 1.518 (em 2025), nesta comparação, temos a contribuição do dinheiro para a felicidade até cerca de R$ 7.590 mensais. Cabe destacar que a capacidade de provisionamento do salário-mínimo em cada país é diferente, sendo um menos suficiente do que outro para suprir as necessidades básicas das pessoas.
Sabemos que estes comparativos não são exatos. Então, até onde você acha que o aumento da renda impacta positivamente na felicidade e na satisfação com a vida? E a partir disso, o que acontece?
Levantamento similar ao anterior, por outro lado, identificou que o incremento dos níveis de satisfação com a vida ocorre mesmo após o teto indicado (de US$ 75.000 anuais)6. A partir de ambos os achados, os autores das duas pesquisas se uniram para validar as percepções iniciais, com a conclusão de que para pessoas infelizes existe um limite para o incremento da felicidade a partir da renda, enquanto que para pessoas consideradas felizes os níveis de satisfação continuam a melhorar conforme melhora a condição financeira, mesmo acima do limite específico7.
Em outra direção, análise referente à renda e ao bem-estar entre países descobriu que, em geral, pessoas com maior renda tendem a ter níveis de satisfação com a vida melhores do que seus compatriotas em condição socioeconômica inferior. No entanto, não foi verificado que cidadãos de países de renda per capita maior são mais felizes do que os que vivem em países menos desenvolvidos2.
Muitos outros fatores também podem ser analisados na busca por respostas mais precisas, como por exemplo:
- Pessoas felizes tem mais possibilidades de aumentar a renda do que as menos felizes?
- Somente a renda impacta nossos níveis de satisfação ou nosso bem-estar também favorece o lado profissional e financeiro?
No entanto, quanto mais ingredientes acrescentamos a esta busca, mais distantes ficamos destas respostas.
Neste sentido, é importante considerarmos que o aspecto financeiro é apenas uma das dimensões da vida, assim como saúde, família, relacionamentos, espiritualidade, dentre outras. Assim como as finanças não devem ser desconsideradas, as demais não podem ser deixadas de fora de qualquer estudo sobre felicidade. Isso porque nosso bem-estar também resulta da percepção individual sobre os diversos aspectos de nossa existência e da harmonia entre eles.
Além de entender em qual patamar financeiro a felicidade deixa de aumentar, ou para quem a renda trará mais felicidade, ao refletimos sobre escolhas na carreira e na vida pessoal, devemos considerar a relação entre estas diversas dimensões da vida. Nesse sentido, apresentamos algumas ideias para que o cuidado com as finanças pessoais (tema de nossas dicas) possa contribuir positivamente na melhoria do bem-estar:
- Evite contrair dívidas, principalmente se servirem para o supérfluo, pois endividamento é grande fator de preocupações.
- Utilize de tempos em tempos os rendimentos de seus ativos (como aplicações financeiras, imóveis, etc.) para benefício pessoal ou da família. Pode ser uma viagem, um presente ou a realização de um sonho. Poupar e investir é importante, porém, de que serve guardar e nunca colher esses frutos?
- Caso tenha faltado dinheiro (ou tempo) para a tão esperada viagem de férias, pode-se aproveitar os atrativos existentes perto de casa para uma viagem mais curta. Há destinos interessantes para uma viagem de fim de semana ou no feriadão que podem ser suficientes para esse descanso merecido.
- Investir em experiências tende a trazer mais bem-estar do que consumir, pois a satisfação com as compras costuma ser momentânea enquanto as vivências marcam por mais tempo e deixam boas histórias para contar. Diante disso, vale voltar a dedicar atenção aos hobbies esquecidos ou aos desejos largados numa gaveta da memória. Qual é o seu interesse? Aprender um instrumento musical, retomar as aulas de desenho, fazer trilhas, praticar ioga ou meditação, passear mais no parque da cidade, passar mais tempo com a família, saltar de paraquedas? O céu é o limite!
- Caso tenha conquistado um novo cargo, função ou assumido uma atividade que resultou em aumento na renda, pode ser interessante poupar parte desse incremento. Essa ação pode auxiliar futuramente numa possível perda da função e redução de renda. Isso porque, além de ter constituída uma reserva para imprevistos, será mais fácil se adequar à perda se as necessidades de redução das despesas mensais ou do padrão de vida não forem tão grandes.
- No mesmo sentido da sugestão acima, é sempre recomendável estabelecer seu padrão de vida um “degrau” abaixo daquilo que você pode manter no momento. Isso traz mais segurança para poder construir bons momentos com tranquilidade financeira, já que tranquilidade também favorece a felicidade.
As contribuições para manter equilíbrio entre o bem-estar e a condição financeira não se exaurem nas dicas acima. O importante é levar em conta o que faz bem para sua vida. Nesta trajetória, conte com o auxílio do nosso Programa de Educação Financeira para começar a planejar um futuro mais seguro e tranquilo!
E, tendo interesse em conhecer formas ou instrumentos para aumentar a sua renda, acesse a nossa dica intitulada “Cinco investimentos para aumentar a aposentadoria”.
Caso ainda precise de auxílio, agende conosco um encontro sobre qualquer tema relacionado à educação financeira! Para solicitar atendimento exclusivo e reservado com a nossa equipe ou sugerir conteúdo para as nossas ações, mande mensagem para educacaofinanceira@tjsc.jus.br.
Elaboração:
Cristiano Minuzzi Debiasi
Equipe do Programa de Educação Financeira
E-mail: educacaofinanceira@tjsc.jus.br
Referências:
- BRASIL. Banco Central do Brasil. Cotação. Disponível em: <https://www.bcb.gov.br/.>. Acesso em: 12 ago. 2025.
- EASTERLIN, R.; Angelescu, L.; Switek, M.; Sawangfa, O.; Zweig, J. “The Happiness-Income Paradox Revisited” IZA Institute of Labor Economics, IZA Discussion Paper No. 5799, 2011. Disponível em: <https://papers.ssrn.com/sol3/papers.cfm?abstract_id=1872747>. Acesso em: 11 ago. 2025.
- Estados Unidos - Salário mínimo nacional. Countryeconomy.com. Disponível em: <https://pt.countryeconomy.com/mercado-laboral/salario-minimo-nacional/estados-unidos?year=2025>. Acesso em: 12 ago. 2025.
- ESTADOS UNIDOS. U.S. Department of Labor. Minimum Wage. Disponível em: < https://www.dol.gov/general/topic/wages/minimumwage>. Acesso em: 12 ago. 2025.
- KAHNEMAN, D.; DEATON, A. (2010) High income improves evaluation of life but not emotional well-being. Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America, 107(38), 16489–16493. Disponível em: < https://doi.org/10.1073/pnas.1011492107>. Acesso em: 10 ago. 2025.
- KILLINGSWORTH, M. A. (2021) Experienced well-being rises with income, even above $75,000 per year. Psychological and Cognitive Sciences, v. 118, n. 4, e2016976118. Disponível em: <https://doi.org/10.1073/pnas.2016976118>. Acesso em: 10 ago. 2025.
- KILLINGSWORTH, M. A.; KAHNEMAN, D.; MELLENS, B. (2023) Income and emotional well-being: a conflict resolved. Psychological and Cognitive Sciences, v. 120, n. 1, e2208661120. Disponível em: <https://doi.org/10.1073/pnas.2208661120>. Acesso em: 11 ago. 2025.