Reservas que geram oportunidades - Servidor - Poder Judiciário de Santa Catarina
Dicas financeiras
Em outras oportunidades, a equipe do Programa de Educação Financeira já expressou que o passo inicial do investidor que começa a guardar recursos é a formação da sua reserva de emergência, com valores destinados para fazer frente a despesas imprevistas ou extraordinárias.
Contudo, há uma outra classe de reserva que também tem grande importância na jornada do investidor em busca de uma vida financeira mais organizada, sólida e tranquila: a reserva de oportunidade.
Mas o que é a reserva de oportunidade? Quais as semelhanças e diferenças em relação à reserva de emergência? Por que é tão importante ter recursos disponíveis? Quanto deve ser guardado e em qual tipo de investimento? Isso e muito mais você acompanhará na dica financeira de hoje! Confira!
Compreendendo a reserva de oportunidade
De maneira objetiva, reserva de oportunidade é a fatia do seu patrimônio destinada a aproveitar grandes negócios ou investimentos com grande potencial de lucro. Evidentemente, deve possuir alta liquidez, justamente porque estes momentos podem se encerrar rapidamente. Daí a necessidade do ágil acesso ao recurso.
Por essa mesma razão, não faz sentido que a reserva de oportunidade esteja alocada em ações ou em outros instrumentos de renda variável, porquanto o surgimento de um grande negócio pode ocorrer num mal momento da bolsa de valores, o que obrigaria o investidor a vender ativos realizando prejuízos ou quando estiverem subvalorizados.
Dito de outro modo, a alocação da sua reserva de oportunidade deve estar inserida em ativos de renda fixa, de preferência pós-fixados, e de liquidez diária (CDBs pós-fixados; fundos de investimento em renda fixa; Tesouro SELIC, entre outros).
Semelhanças e diferenças entre a reserva de oportunidade e a reserva de emergência
Em primeiro lugar, é necessário que o poupador separe, em seu portfólio, em investimentos diferentes, as ditas reservas.
Num segundo momento, o investidor deve iniciar pela formação da sua reserva de emergência, ocasião em que o foco é um só: proteção contra imprevistos.
Após constituída a parte emergencial, iniciam-se os aportes na reserva de oportunidades. Aqui, por seu turno, o objetivo é o crescimento.
Outra diferença interessante entre as reservas é que, enquanto na emergencial não há dúvida da sua utilização (ou seja, ocorrido o evento extraordinário, causador do desfalque financeiro, os recursos devem ser resgatados), a reserva de oportunidade exige muita perspicácia por parte do investidor, pois o evento gerador dos grandes lucros pode não ser tão claro.
Qual a quantia ideal para a reserva de oportunidade?
Se na reserva de emergência os estudiosos sugerem a alocação de três a doze vezes o seu custo mensal, na reserva de oportunidade, por sua vez, não há definição clara quanto ao valor, oscilando de acordo com o perfil e com a estratégia utilizada pelo investidor.
Mesmo assim, há aspectos que podem permear o numerário da sua reserva de oportunidade: o montante deve fazer frente ao seu objetivo (tamanho do negócio que se espera possa se concretizar). Por exemplo, se o objetivo é a compra de um imóvel em leilão, a reserva deve corresponder pelo menos ao valor do bem e respectivos encargos.
De todo modo, é inquestionável que, quanto maior a sua reserva de oportunidade, maiores serão os negócios que podem ser concretizados, elevando o potencial de lucro.
Bem se diga que há momentos, sobretudo de maior instabilidade econômica, nos quais se justifique uma quantia maior destinada a aproveitar oportunidades, seja no mercado imobiliário, seja no âmbito da bolsa de valores.
Ter reserva de oportunidade, além de possibilitar realizar ótimos negócios, também auxilia que o investidor não “saia do jogo”, ou seja, não se torne insolvente, e não concentre demais os seus recursos em determinado ativo específico. Isso porque ele sempre terá uma boa parte do seu portfólio em ativos seguros e de alta liquidez.
Eventos que geram oportunidades
Mas quais eventos podem gerar oportunidades? Dentro ou fora do mercado financeiro, as oportunidades dependem dos momentos da economia global ou local: grandes crises econômicas geram quedas nas bolsas de valores, o que pode representar, após a devida análise feita por profissional do mercado financeiro, em singular momento de compras.
No âmbito imobiliário, quem nunca ficou sabendo de um conhecido que, por alguma circunstância pessoal ou profissional, necessitava vender o seu imóvel e, devido à situação de urgência, aceitava receber cifra muito abaixo do valor real do mercado?
Indo além, os eventos que geram oportunidades podem envolver um curso de capacitação com desconto relâmpago; um novo negócio promissor na seara do empreendedorismo ou em franquias; um excelente imóvel em leilão, entre outros exemplos.
É inegável que portar recursos com liquidez (dinheiro em caixa disponível) nestes instantes gera excelentes negócios aos seus detentores. Daí que se cunhou a expressão segundo a qual “o dinheiro é o rei”.
Quem não tem estes recursos, ou fica de fora, ou precisa recorrer a empréstimos (arcando com juros), o que aumenta o risco e diminui o potencial lucrativo.
A importância da reserva de oportunidade e como se posicionar em cenários de crise
Mas por que é tão importante ter uma reserva de oportunidade? Infelizmente, as últimas décadas têm sido marcadas por graves acontecimentos político-econômicos ao redor do planeta: a crise do Subprime nos Estados Unidos da América em 2008; pandemia da COVID em 2019; diversos conflitos bélicos envolvendo Rússia X Ucrânia, Israel X Palestina. Mais recentemente, assistimos às guerras comerciais envolvendo a taxação principalmente dos Estados Unidos contra a China, as maiores economias do globo.
No livro intitulado “Riqueza, Guerra e Bom Senso” (2008), o investidor Barton Biggs descreve excelentes estratégias que podem ser adotadas pelo investidor que deseja preservar o seu patrimônio e, adivinhe só, muitas delas estão relacionadas à existência de uma parcela de recursos disponível para aproveitar as oportunidades. Eis as seis principais orientações:
- A liquidez salva: em tempos de colapso, quem tem liquidez (dinheiro ou ativos fáceis de vender) pode aproveitar oportunidades e se proteger;
- Invista em ativos que geram renda: empresas sólidas, com fluxo de caixa e resiliência, tendem a sobreviver a choques;
- Proteja-se contra inflação e desvalorização monetária: tenha ativos que resistam à perda de valor do dinheiro. Aqui novamente os metais preciosos como o ouro e a prata, ou ainda, a exposição a moedas reconhecidamente fortes, podem ser alternativas;
- Tenha uma parte do patrimônio fora do sistema bancário tradicional: terras, imóveis, agrícolas ou urbanos, ativos reais, moedas, ou mesmo o ouro podem funcionar como proteção em crises mais graves;
- Diversificação geográfica é vital: tenha parte dos seus recursos em outros países. Eventos políticos podem mudar tudo de forma súbita;
- Pense como uma família que quer durar 100 anos: invista com mentalidade de preservação e legado, não apenas de ganho rápido.
Nesse sentido, interessante anotar o posicionamento do megainvestidor Warren Buffett que, nestes últimos anos, em contraste aos recordes históricos das bolsas norte-americanas (causados, principalmente, pelo elevado crescimento das empresas de tecnologia), foi um dos primeiros a realizar vendas pontuais de ações e a embolsar os seus lucros, aumentando, de maneira gigantesca, a quantidade do caixa disponível da empresa “Berkshire Hathaway”, da qual é um dos fundadores. Atualmente, estima-se que a holding possua aproximadamente dois trilhões de reais em caixa líquido, ou algo em torno de trezentos bilhões de dólares.
Considerações finais
Diante do exposto, perceba que o principal fator para a formação da reserva de oportunidade, replicável também à reserva de emergência, é a disciplina, o controle que o investidor deve possuir sobre as suas finanças pessoais.
Utilizar rendas-extras para alavancar estas cifras, a parcela do décimo terceiro, ou até mesmo bônus recebidos no trabalho, são muito importantes para construir estas porções fundamentais do seu portfólio e, com isso, proporcionar-lhe uma vida financeira mais estável, sólida e tranquila!
E aí? Você já possui reserva de oportunidade? Quer saber mais sobre este ou outro assunto? Não se esqueça: converse um profissional credenciado para tratar de produtos financeiros, e, se preferir, agende conosco um encontro sobre qualquer tema relacionado à educação financeira!
Para agendar atendimento exclusivo e reservado com a equipe do Programa de Educação Financeira ou sugerir conteúdo para nossas ações, mande o seu e-mail para educacaofinanceira@tjsc.jus.br.
Elaboração:
Leandro Ambros Gallon
Equipe do Programa de Educação Financeira
E-mail: educacaofinanceira@tjsc.jus.br
Referências:
BIGGS, Barton. Wealth, war & wisdom. John Wiley & Sons. 2008.
GREEN, William. Ricos, sábios e felizes. Tradução André Fontenelle. 1. ed. Rio de Janeiro: Sextante, 2021.
REIS, Tiago. Lições de valor com Warren Buffett e Charlie Munger: ensinamentos para quem investe em Bolsa com foco no longo prazo. 1. ed. São Paulo: Editora Vivalendo. 2020.
Reserva de oportunidade: tudo o que você precisa saber. Banco Daycoval S.A.. São Paulo. 2024. Disponível em: <https://blog.daycoval.com.br/reserva-de-oportunidade/#>. Acesso em: 19 mai. 2025.