Tesouro Direto: estratégias de investimento - Servidor - Poder Judiciário de Santa Catarina

Dicas financeiras

Tesouro Direto: estratégias de investimento

Após a Dica Financeira sobre O que é Tesouro Direto?, esta traz uma abordagem um pouco mais ampliada, possibilitando a identificação de estratégias de investimento que podem favorecer um maior retorno financeiro, sem gerar riscos desproporcionais ao objetivo perseguido.

É necessário ressaltar que, antes de iniciar qualquer novo investimento, é imperioso que se constitua uma reserva de emergência.

Ainda nos avisos iniciais, cabe destacar que as estratégias que serão apresentadas não constituem recomendações de investimento, mas sim oportunidades que podem ser mais bem estudadas para que o interessado possa tomar decisões conscientes, com base em suas possibilidades e no seu perfil de investidor. 
Dito isso, tem-se que o Tesouro Direto é uma das fontes mais seguras e acessíveis para começar a investir, uma vez que o garantidor do recurso é o Governo Federal.

Para tirar o máximo proveito da ferramenta ora em análise, é preciso ir além da teoria e entender como aplicá-la de forma estratégica, de acordo com seu perfil e o cenário econômico.

O primeiro passo é identificar seu perfil de investidor, a fim de escolher o título mais adequado ao seu objetivo.

Como já exposto na dica O que é Tesouro Direto?, há três tipos básicos de títulos do Tesouro Direto: Tesouro Selic, Tesouro Prefixado e Tesouro IPCA, além de suas variações, como o Tesouro Renda+ e Tesouro Educa+.

O Tesouro Selic, que permanece atrelado à taxa Selic, é um título pós-fixado e com liquidez diária. Por sua vez, o Tesouro IPCA se apresenta como um título híbrido, pois incorpora uma taxa pré-estabelecida no momento da contratação e a correção da inflação pelo IPCA. Por fim, o Tesouro Prefixado conta apenas com uma taxa definida na data da compra.

O cenário econômico se apresenta como um termômetro para a escolha do título mais adequado à sua carteira.

Isso porque, em tempos de inflação em alta, o Tesouro IPCA protege o capital investido e garante rentabilidade adicional ao valor aplicado. Por sua vez, em tempos de instabilidade, o Tesouro Selic oferece liquidez e segurança nos investimentos. Já em períodos de queda da Selic, o Tesouro Prefixado possibilita a obtenção de maior rendimento com a marcação a mercado. 

Mas o que é a marcação a mercado? 

A marcação a mercado é o processo de atualização diária do valor dos ativos financeiros, refletindo seu preço de venda atual no mercado. Ela ajusta o valor dos investimentos de acordo com as condições de mercado, ou seja, a oferta e a demanda dos ativos.

Os títulos Tesouro Prefixado e Tesouro IPCA, que possuem parte de sua remuneração prefixada, oscilam com o passar do tempo, a depender da política monetária adotada. Isso significa que, em caso de melhora da situação fiscal, com a redução da taxa Selic, há também a redução do prêmio pago nesses títulos, reduzindo sua atratividade. Por outro lado, quando há uma elevação da Selic, o prêmio dos títulos sobe, interferindo no valor de face na data negociada.

Assim, a título de exemplo, a aquisição de um Tesouro Prefixado a 14% (o que garante um rendimento anual conforme a taxa contratada) e sua posterior venda a 10% possibilita a captura da valorização do título, uma vez que ele possui o valor de vencimento em R$ 1.000,00 (mil reais), ocasionando a modificação de seu valor de face conforme a taxa vigente.

Abaixo, colaciona-se um gráfico com o preço do Tesouro Prefixado 2028 (com vencimento em 01/01/2028), extraído do site do Tesouro Direto em 10/10/2025, a fim de possibilitar a visualização da modificação do valor do título.



No eixo vertical, apresenta-se o valor de face do título, enquanto no eixo horizontal há um intervalo de datas, permitindo a verificação do valor do título ao longo do tempo.

O gráfico abaixo apresenta a taxa prefixada no mesmo intervalo.



Assim, fica mais fácil visualizar que o valor do título oscila inversamente à taxa ofertada, de modo que alguns investidores buscam adquirir o título quando sua taxa está alta, para posterior venda quando esta estiver mais baixa, capturando a variação do valor — o que se denomina marcação a mercado.

Mais uma vez, é necessário ressaltar que esta explicação não se trata de uma recomendação de investimento, nem tampouco é possível garantir quedas de taxas. Por isso, essa operação deve ser realizada com recursos que possam permanecer investidos até o vencimento do título, a fim de evitar eventuais prejuízos ao investidor.

Superada a marcação a mercado, é possível combinar estratégias de investimento com o intuito de incrementar a rentabilidade alcançada.
A primeira forma seria o reinvestimento dos cupons de juros semestrais. Nessa modalidade, o investidor adquire títulos com pagamento de cupons semestrais e, ao receber os rendimentos, reinveste parte ou a totalidade em novos títulos, buscando aumentar os ganhos.

Outra modalidade seria a técnica Ladder ou Laddering, na qual o investidor escolhe títulos variados com datas de vencimento distintas, realizando o reinvestimento à medida que vencem, configurando um novo “degrau” à sua escada de investimentos. Isso proporciona maior flexibilidade e liquidez, protegendo o investidor da volatilidade do mercado.

Por fim, há a estratégia Barbell, que consiste na mescla de títulos de curto e longo prazo, com alocação de recursos em Tesouro Selic e Tesouro Prefixado, equilibrando risco e liquidez.

Para finalizar, cabe destacar que o resgate antecipado do título pode gerar prejuízo, assim como títulos prefixados não protegem contra a inflação. Ao investir no Tesouro Direto, também deve ser considerado o imposto no momento do resgate, a fim de evitar surpresas. 

Observado o contexto, com seus pontos positivos e alguns riscos dependendo da forma de investir, o Tesouro Direto continua se mostrando uma ferramenta de investimento segura e poderosa para a construção de um futuro financeiro sólido, cabendo a cada investidor verificar as estratégias que mais se adequam ao seu perfil e objetivos.

Você já investiu no Tesouro Direto? Quer saber mais sobre este ou outro assunto? Não se esqueça: converse com um profissional credenciado para tratar de produtos financeiros, e, se desejar, agende uma conversa conosco sobre qualquer tema relacionado à educação financeira!

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Elaboração: 
Ruysdael Zocoli II
Equipe do Programa de Educação Financeira 
E-mail: educacaofinanceira@tjsc.jus.br

Referências:
Renda Fixa: O poder da estratégia Ladder. GRUBERT, Luiz. Renda Fixa: o poder da estratégia Ladder. Suno Notícias, 18 set. 2024. Disponível em: https://www.suno.com.br/noticias/colunas/luiz-grubert/estrategia-ladder-lg/. Acesso em: 10 out. 2025.
 
CASTRO, Sidemar. Estratégia Barbell: o que é e como funciona nos investimentos? Investidor Sardinha, 2 out. 2023. Disponível em: https://investidorsardinha.r7.com/geral/estrategia-barbell-o-que-e-e-como-funciona-nos-investimentos/. Acesso em: 10 out. 2025.

BTG PACTUAL. Marcação a mercado: o que é, como funciona e vantagens. BTG Pactual, [s.d.]. Disponível em: https://content.btgpactual.com/blog/investimentos/marcacao-a-mercado-o-que-e-como-funciona-e-vantagens. Acesso em: 10 out. 2025.

TESOURO NACIONAL (Brasil). Tesouro Direto. [S.l.]: Tesouro Nacional, [s.d.]. Disponível em: https://www.tesourodireto.com.br/. Acesso em: 10 out. 2025 .