A ansiedade no contexto organizacional - Servidor - Poder Judiciário de Santa Catarina

Dicas de gestão

A ansiedade no contexto organizacional

A ansiedade é uma reação natural do organismo diante de situações estressantes ou desconhecidas. Trata-se de um mecanismo de defesa que auxilia o indivíduo a manter o foco e a reagir rapidamente a possíveis ameaças. No entanto, embora seja normal experimentar níveis moderados de ansiedade em contextos específicos, o problema surge quando esse estado se torna constante, intenso e passa a comprometer a qualidade de vida, a saúde mental e o desempenho, evoluindo para um quadro patológico difícil de ser interrompido sem apoio adequado.

Embora a ansiedade seja uma condição individual, no ambiente corporativo ela não pode ser tratada apenas como um “problema pessoal”, pois sua causa pode estar neste mesmo ambiente.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece a ansiedade como um dos transtornos mentais mais prevalentes no mundo, com efeitos diretos na produtividade e na qualidade das relações de trabalho.

Fatores como metas agressivas, prazos apertados, cobranças constantes, falta de reconhecimento, urgências permanentes e a sensação de estar “conectado o tempo todo” contribuem significativamente para o agravamento da ansiedade. Em contextos como o do Poder Judiciário — onde, além dessas exigências, há contato frequente com situações de conflito e elevada responsabilidade — a atenção ao tema torna-se ainda mais relevante.

Nesse cenário, a atuação gerencial exerce influência direta sobre elementos que podem atenuar ou intensificar a ansiedade da equipe. Embora não atue como profissional de saúde, o gestor pode adotar práticas de liderança que contribuem para prevenir o adoecimento e promover o bem-estar coletivo. Além disso, é peça-chave na identificação e orientação de colaboradores em situação de vulnerabilidade.

Entre as práticas que contribuem para um ambiente saudável, destacam-se:

  • Definição clara de funções e prioridades;
  • Estabelecimento de prazos realistas;
  • Comunicação objetiva e coerente;
  • Acompanhamento periódico das atividades;
  • Estímulo ao diálogo e à escuta ativa;
  • Incentivo à realização de pausas e ao respeito à jornada de trabalho;
  • Promoção da autonomia e do senso de controle sobre as atividades;
  • Atenção às relações interpessoais e ao clima organizacional;
  • Reconhecimento do desempenho individual e coletivo;
  • Estímulo ao trabalho em equipe.

Essas práticas não eliminam as exigências do trabalho, mas aumentam a previsibilidade e o senso de segurança — elementos essenciais para o equilíbrio emocional.
A forma como a informação circula na organização também influencia diretamente os níveis de ansiedade. A sobrecarga informacional, o uso simultâneo de múltiplos canais de comunicação e a existência de orientações divergentes geram confusão e insegurança. Estudos sobre inteligência emocional, como os de Daniel Goleman, apontam que a fragmentação da atenção e a comunicação dispersa elevam o estresse e prejudicam a tomada de decisão. Nesse contexto, cabe ao gestor promover boas práticas de comunicação, organizando fluxos e evitando redundâncias desnecessárias.

Apesar da importância do ambiente organizacional, é fundamental reconhecer que quadros persistentes ou intensos de ansiedade exigem atenção especializada. Nesses casos, recomenda-se a busca por apoio profissional. 

Destacamos alguns programas e ações que podem ser indicados ou acionados, tanto de forma preventiva quanto em situações de maior criticidade:

Também é possível encontrar estas e outras ações nos seguintes portais:

Muitas vezes, o colaborador não verbaliza que não está bem, mas sinais indiretos podem indicar a necessidade de apoio. Gestores atentos, que praticam escuta ativa e empatia, podem fazer diferença significativa nesse momento. Por isso, é importante observar:

  • Sintomas físicos: dores de cabeça, fadiga constante, insônia e desconfortos gastrointestinais;
  • Sintomas emocionais: sensação de sobrecarga, incapacidade de lidar com demandas, negatividade em relação ao trabalho e nervosismo; e
  • Sintomas comportamentais: irritabilidade, conflitos interpessoais, isolamento, faltas frequentes, queda de desempenho, redução da iniciativa e da criatividade.

A ansiedade no trabalho deve ser tratada com responsabilidade e maturidade institucional. Sob a perspectiva da gestão, não deve ser ignorada nem excessivamente individualizada, mas compreendida como um sinal relevante sobre a forma de organização do trabalho e dos fluxos de comunicação.

Por fim, é essencial lembrar que o gestor, além de cuidar da equipe, também deve estar atento à sua própria saúde emocional. Liderar pessoas exige equilíbrio. Buscar apoio, quando necessário, é um sinal de responsabilidade e não de fragilidade.

A prevenção começa com a escuta. O cuidado começa pelo exemplo. E a transformação com a liderança. Não basta apenas entregar resultados. O líder precisa cuidar de pessoas — pois são elas que tornam os resultados possíveis.

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Até a próxima dica!

Elaboração:
Alma Serena Barbosa Satto 
Bruna Fernandes Alves Cascais 
Ingrid Audrey Schauffert
Marcelo Dias e Silva 
(Dica estruturada com o apoio do M365 Copilot)

Referências:
DEJOURS, Christophe. A loucura do trabalho: estudo de psicopatologia do trabalho. 6. ed. São Paulo: Cortez, 2015.
GOLEMAN, Daniel. Foco: a atenção e seu papel fundamental para o sucesso. Rio de Janeiro: Objetiva, 2013.